domingo, 20 de novembro de 2016

“Acessibilidade e Inclusão”



“Acessibilidade e Inclusão”

#PraCegoVer Exemplo de acessibilidade e inclusão em parques infantis: quando uma imagem vale mais que mil palavras.




            Falar de acessibilidade e inclusão pode parecer, à primeira vista, um tema recorrente e bastante discutido em nossa sociedade atual. Porém, quando paramos para refletir sobre o assunto, alguns questionamentos nos vem à mente automaticamente: qual a melhor definição para essas palavras? Qual a melhor maneira de colocá-las em prática?
            De acordo com Marta Gil, no texto “Acessibilidade, Inclusão e Desenho Universal: Tudo a ver”:
“Alcançar condições de acessibilidade significa conseguir a equiparação de oportunidades em todas as esferas da vida. Isso porque essas condições estão relacionadas ao AMBIENTE e não às características da PESSOA. Falar sobre alcançar condições de acessibilidade implica em falar de processo, que tem tempos e características diferentes em cada lugar, que tem idas, vindas, momentos que parecem de estagnação - mas, na verdade, são momentos em que novos conceitos, novas posturas e atitudes estão germinando. [...]”

            Nesse sentido, se estamos falando de um processo de acessibilidade, estamos automaticamente pensando em uma atitude que apresentará como consequência inclusão. Ações visando garantir o direito à acessibilidade acabarão promovendo a abrangência, compreensão e integração entre pessoas com e sem deficiência, exatamente o que define a palavra inclusão no dicionário eletrônico infopédia.
            Um ponto importante que permeia a vida das pessoas com deficiência e é muitas vezes esquecido é o direito, garantido por lei, à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer: o artigo 42 da lei no 13.146, de 6 de julho de 2015, diz A pessoa com deficiência tem direito à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas [...]”; a lei no 11.982, de 16 de julho de 2009, no artigo 4º, diz: “Os parques de diversões, públicos e privados, devem adaptar, no mínimo, 5% (cinco por cento) de cada brinquedo e equipamento e identificá-lo para possibilitar sua utilização por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, tanto quanto tecnicamente possível.”
            No entanto, é visível que isso não vem acontecendo, infelizmente. Se a lei fosse rigorosamente cobrada e fiscalizada poderíamos promover a inclusão desde a infância. Nos parques infantis é que ocorre a integração entre as crianças por meio das brincadeiras , e, Denise de Ávila Moraes, em seu texto “A importância do lúdico na educação especial”, define a importância da brincadeira:
“A brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo... A criança que brinca sempre, com determinação autoativa, preservando, esquecendo sua fadiga física, pode certamente tornar-se um homem determinado, capaz de auto sacrifício para a promoção do seu bem e de outros... Como sempre indicamos o brincar em qualquer tempo não é trivial, é altamente sério e de profunda significação, (FROEBEL, 1992, ).” A importância do lúdico na educação especial

            Seria possível proporcionar às nossas crianças, com e sem deficiência, a oportunidade de compartilharem o mesmo espaço físico e construírem uma relação genuína e desinteressada de convivência inclusiva que ambos levariam por toda vida, e influenciaria em sua formação como adultos diferenciados podendo atuar na construção de um mundo mais inclusivo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A pessoa com deficiência na minha história de vida.

Pensar a pessoa com deficiência em minha me fez relembrar fatos que eu já havia esquecido, mas que rapidamente retornaram à minha memória, lembro-me que tinha uma tia avó com algum tipo de deficiência mental, que ficava quietinha e já não interagia com as pessoas, como eu era bem pequena, não tenho muitos detalhes sobre o caso dela, e ela já faleceu. Quando adolescente, conheci um menino surdo, tínhamos uns 13 anos, ele era muito inteligente, frequentava escola regular com a gente e conseguia falar, era oralizado. Na verdade, não me lembro de vê-lo utilizar a Língua de Sinais Brasileira.
Mas o que me chamou a atenção é que , sendo eu apaixonada por línguas, principalmente Língua Estrangeira, logo que ingressei na UFSCar para cursar Letras,fui promovida de secretária da escola de inglês onde trabalha para professora de inglês para crianças (1 a 4 série)  para algumas turmas, em alguns períodos em que eu não lecionava cheguei a atuar como auxiliar de sala em salas onde alguns alunos necessitavam de atenção especial. Nesta época cheguei a trabalhar com um aluno autista que adorava escalar as paredes da escola, mas que nunca me deu nenhum tipo de problema, lembro-me que ele ficava apático nas aulas e que fazia alguns rabiscos. Outra aluna que me marcou era uma menina, de outra sala que não se movimentava da cabeça para baixo e que andava presa à sua cadeira de rodas, sempre alegre e feliz e rodeada de coleguinhas qua a ajudavam em tudo que ela precisava. Me lembro também que as crianças agiam normalmente com esses colegas, de igual para igual.
Quando jovem,no início de minha carreira, não me deparei com alunos com deficiência em sala de aula, então não tinha tido até o ano de 2016, nenhuma preocupação com minha prática docente para alunos com algum tipo de deficiência.
Em 2016, já trabalhando no IFSP, lembro-me da minha primeira reunião antes do início das aulas, nessa reunião, há poucos dias do início do ano letivo, fomos informados que teríamos uma aluna com deficiência auditiva no Ensino Técnico de Redes de Computador  integrado ao Ensino Médio. Assim, do nada. Eu gelei. Fiquei com medo. Não sabia nem como abordar uma pessoa com este tipo específico de deficiência. Tive medo...
Recebemos algumas orientações da intérprete que a acompanharia durante as aulas. A insegurança continuou. E agora. 39 alunos sem deficiência específica, a princípio, e ela, a menina surda.
As aulas começaram, a intérprete nos pedia para enviar a matéria com antecedência, nós enviávamos, ela interpretava...aos poucos, eu, professora de português e de inglês dela; ela, a surda e a intérprete  começávamos a nos entender, e nós três, unidas conseguimos criar uma nova língua... não era LIBRAS, Inglês, Português, nem espanhol (o quatrilho em que me encontro na minha vida atual)... era a linguagem do amor, da dedicação, do esforço e da crença de que tudo é possível ao que crê... e não é que deu certo! Hoje, graças a essas duas pessoas maravilhosas que fazem parte da minha história com o IFSP, já fiz um curso à distância de LIBRAS, estou fazendo outro e pretendo aprender mais dessa língua tão singular na minha história.